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Dragon's Dogma 2 – Review

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da Guia: Dragon’s Dogma 2 é, segundo o próprio diretor Hideaki Itsuno a realização, completa do que o game designer almejava para o primeiro jogo da série, lançado em maio de 2012 e que se tornou um clássico cult da geração do Xbox 360 e PlayStation 3. Quase 12 anos depois do original, a sequência do RPG de ação da Capcom cumpre a promessa de Itsuno e aprimora o primeiro jogo em quase todos os aspectos, com lutas ainda mais grandiosas em escala, combate refinado e um sistema de peões excelente, com parceiros de jornada que verdadeiramente te auxiliam em combate em momentos de dificuldade, seja atacando em bloco um inimigo mais desafiador, seja curando seu personagem.

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da aajogo: A veia criativa de Itsuno – que sempre se notabilizou por criar jogos com excelentes sistemas de combate, de fighting games como Capcom vs SNK 2 a títulos de ação como Devil May Cry 3, 4 e 5 – mais uma vez se faz presente do início ao fim da jornada. A câmera do jogo muitas vezes pode ser uma inimiga tão ou mais ameaçadora quanto um ciclope ou grupo de harpias, e a trama do jogo, que mais uma vez mergulha em uma fantasia medieval sombria, decepciona, seja pelo nosso próprio protagonista, uma figura praticamente desprovida de qualquer personalidade, seja por quase todos os demais personagens, com os quais pouco me importei na maior parte do tempo.

Dragon’s Dogma é um título que certamente encherá os olhos de todos aqueles que prezam por lutas contra chefões e combates grandiosos, uma vez que a todo momento haverá momentos de ação realmente empolgantes. Por outro lado, se você é o tipo de pessoa que espera algo mais em desenvolvimento de personagens e história, o novo título da Capcom passa longe de atingir o nível dos melhores RPGs lançados nas duas últimas décadas, como Mass Effect 2, The Witcher 3 e, mais recentemente, Baldur’s Gate 3.

Para piorar, vários recursos que são importantes para tornar a jornada pelo jogo mais palatável são vendidos separadamente, como itens de teletransporte, kits de acampamento, itens que restauram a vida de personagens mortos e chaves para escapar de prisões, tudo isso vendido separadamente em um jogo que custa R$ 336,90 no PlayStation 5, R$ 336,00 no Xbox Series e R$ 299,00 no PC.

Ainda que esses itens também possam ser obtidos durante a campanha, a Capcom parece ter criado uma escassez artificial justamente para impulsionar vendas via microtransações. Essa prática da Capcom de venda de itens que afetam a gameplay já vem desde tempos de Devil May Cry 5, com as vendas de pacotes de Red Orbs, que podem ser usados para comprar melhorias para os pesonagens. A grande diferença é que no hack and slash de 2019 havia uma abundância bem maior desses mesmos itens dentro do próprio jogo, o que fazia do pacote de Red Orbs um mero acelerador de melhorias. Em Dragon’s Dogma 2, esses principais itens vendidos separadamente são muito mais escassos dentro do jogo, o que indica que a Capcom criou uma camada extra de dificuldade de forma artificial apenas para impulsionar microtransações.

Um mundo grandioso em tudo, mas de progressão lenta

A primeira coisa que impressiona em Dragon’s Dogma é a grandiosidade do mundo. Embora careça de uma maior variedade de ambientes em grande parte da campanha, com um mundo dividido principalmente entre florestas e cidades típicas de uma fantasia medieval, tudo em Dragon’s Dogma tem dimensões gigantescas, do mundo a vários dos chefões que enfrentamos, e até mesmo alguns inimigos comuns que surgem de repente no mapa. Uma característica marcante do jogo é que nenhum local é realmente seguro, nem mesmo os acampamentos.

Durante uma passagem do dia para a noite, ou vice-versa, nosso personagem e seus respectivos peões (quatro ao todo) podem se ver cercados repentinamente por monstros, tendo que lutar ali mesmo. Um dos maiores acertos de Dragon’s Dogma 2 é ter justamente um mundo vivo, em que numa caminhada de um ponto a outro do mapa podemos ser surpreendidos pelo ataque de um ciclope, lobos, lagartos gigantescos, harpias ou qualquer outro monstro. Por se tratar de um jogo em que não podemos criar vários saves e no qual até mesmo itens de cura podem se tornar escassos se você estiver longe de uma cidade ou vendedor de itens, em diversos momentos a progressão pelos cenários pode se mostrar extremamente desafiadora.

No entanto, ao mesmo tempo que o mundo de Dragon’s Dogma 2 é vivo, muitas vezes o título se torna um tanto monótono conforme progredimos pelo mapa. Com pouca diversidade de ambientes, as longas caminhadas ou viagens de carroça do jogo podem se tornar um tanto maçantes após dezenas de horas. Concluí minha campanha com cerca de 53 horas, e mesmo deixando de fazer algumas missões opcionais, senti o peso da duração do jogo justamente em função de uma progressão arrastada, apesar de acostumado a jogar RPGs por períodos superiores a 100 ou até 150 horas.

Ainda que Dragon’s Dogma 2 seja um RPG relativamente mais curto do que outros jogos do gênero para se concluir a campanha principal, a sensação de peso durante a progressão pela campanha acaba sendo maior. Isso, somado a uma trama distante, em que temos um protagonista nada expressivo e personagens com os quais eu, pelo menos, não me importei nem um pouco. Por mais que o mundo do novo título da Capcom seja de fato grandioso, isso nem sempre é explorado da melhor forma, e o fato de um jogo zerado em pouco mais de 50 horas ter passado uma sensação de duração muito maior não é um bom sinal.

Vale também a ressalva extremamente negativa de que temos apenas um único save por campanha, inclusive com saves automáticos se sobrepondo aos manuais de tempos em tempos. Portanto, se você falhar em alguma missão ou se arrepender de alguma build ou escolha que terá impacto no final da história, não há como voltar atrás, exceto pelos escassos pontos de descanso em pousada, que farão você voltar muito na campanha, perdendo às vezes até uma hora ou mais de progresso na campanha. Esta é uma prática que já deveria ter sido extinta da indústria, mas alguns jogos insistem em mantê-la de forma desnecessariamente punitiva ou protecionista.

Combate e sistema peões são os pontos altos

Se o mundo de Dragon’s Dogma 2 às vezes parece arrastado, por mais belo e grandioso que seja, o mesmo não se pode dizer sobre o sistema de combate do jogo, que certamente é a joia da coroa do RPG de ação da Capcom. Embora esteja longe de apresentar o mesmo nível de dificuldade de um RPG da From Software, por exemplo, Dragon’s Dogma é um jogo que exige bastante estratégia para superar não apenas as boss fights, mas até mesmo algumas lutas contra monstros comuns que surgem no mapa, e bom uso do sistema de peões é imprescindível para progredir rumo ao próximo objetivo.

Optei por fazer toda a minha campanha com a classe Combatente, que embora faça o jogador se expor a maiores riscos durante as lutas, também causa maior dano. Já o meu peão principal, o único que escolhemos para nos acompanhar por toda a campanha, era da classe Mago, perito em magias de cura e algumas magias ofensivas extremamente úteis para atingir inimigos à média distância. Já os outros três peões são trocados a todo momento na história, com alguns deles se oferecendo “de graça” para lutar ao lado do nosso Nascen e outros precisando ser contratados por um determinado número de pontos que obtemos conforme progredimos em nossa campanha. Muitos desses peões podem ser encontrados em portais dimensionais espalhados pelo mundo, e podemos habilitar inclusive a opção de contratar peões criados por outros jogadores.

Em linhas gerais, é preciso ter um time variado de peões em classes, escolhendo entre magos, feiticeiros, ladrões, lanceiros místicos, arqueiros mágicos e outras classes de forma intercalada, e o ideal é ter um de cada tipo. Em batalha, os peões apresentam uma ótima inteligência artificial, e não foram poucas as vezes que eles foram simplesmente determinantes para minhas vitórias em lutas contra chefões e até diante de inimigos comuns mais poderosos. Muitos jogos não falham em criar personagens de suporte que verdadeiramente nos auxiliam em combate, mas este, felizmente, não é o caso de Dragon’s Dogma 2.

Já o nosso Nascen se molda perfeitamente ao nosso estilo de jogo, e e apesar de ter jogado com a classe Combatente em quase toda a campanha, fiz alguns testes rápidos com outras classes, e a boa notícia é que todas elas de fato são extremamente eficazes em combate, desde que os jogadores se adaptem ao estilo de cada uma. Jogar com ladrões nos confere enorme agilidade para escapar de ataques inimigos, enquanto o feiticeiro é um perito em magias ofensivas, em oposição à característica mais focada em cura dos magos.

Das novas classes que testei, algumas desbloqueadas ao longo da campanha, minha favorita foi a de lanceiro místico, que une combate corpo a corpo e magia. Embora eu não tenha zerado a campanha com essa classe, tenho a impressão de que ela teria tornado minha vida bem mais fácil do que a classe de Combatente, à qual me apeguei por causa do bom dano causado e da possibilidade de uso de escudo, mas com qual também sofri pela maior lentidão e consequente vulnerabilidade defensiva. Os arqueiros mágicos, por outro lado, se mostraram melhores do que os arqueiros comuns, por serem peritos em luta à distância e ainda contarem com um dano mágico adicional que se mostra extremamente útil contra inimigos com fraquezas elementais específicas.

Por fim, as lutas contra chefe são o ponto alto do jogo, especialmente no terço final da campanha, que é quando Dragon’s Dogma 2 revela todo seu potencial. Se o começo e meio da campanha são mais arrastados e lentos, a reta final realiza toda a grandiosidade do projeto idealizado por Hideaki Itsuno, com lutas de tirar o fôlego em sequência e eventos que verdadeiramente impactam o mundo do jogo. Nos combates finais, a construção de uma boa build se mostra ainda mais imprescindível para superar as criaturas gigantescas que enfrentamos, e podemos escalá-las para atingi-las em cheio, ao melhor estilo Shadow of the Colossus. A única ressalva fica pela câmera problemática do jogo, especialmente quando somos estamos contra a parede enfrentando um inimigo. Nesses momentos, fiquei impedido de ver o que estava acontecendo na luta e acabei morrendo ao ser encurralado por dois ou mais inimigos.

Por outro lado, se o ritmo da campanha é um problema em seus primeiros dois terços e a câmera é um problema em determinados momentos, a reta final de Dragon’s Dogma 2 oferece alguns dos melhores combates que experimentei em um RPG de ação em tempos recentes, o que não é uma surpresa visto que Itsuno dirigiu obras do calibre de Devil May Cry 3 e 5, dois dos melhores jogos de ação já criados e aclamados justamente pelo excelente sistema de combate, ainda que com uma proposta muito distinta da vista no novo RPG de ação da Capcom.

História e personagens muito aquém do restante da obra

Em contraste com o excelente sistema de combate, o mundo de Dragon’s Dogma 2 decepciona bastante tanto na trama geral do jogo quanto no desenvolvimento de seus personagens. Mesmo com uma história estruturada de forma mais tradicional, que facilita o entendimento da mitologia daquele universo sem a necessidade da leitura de itens, por exemplo, em nenhum momento me importei muito com o que acontecia nem no enredo central nem com os personagens daquele mundo.

A premissa do jogo é bastante simples, e começamos a campanha jogando com o Nascen, um lendário guerreiro que volta à vida após ter o coração roubado por um Dragão em um combate sangrento. Dentro da mitologia do jogo, a cada geração surge um único Nascen, mas o nosso personagem não tem memória de nada do que ocorreu com ele antes da luta com o Dragão, e assim ele é escravizado em uma prisão/mina subterrânea.

Enquanto trabalhava na mina carregando pedras, um ataque de um monstro gigantesco ocorre, e após superarmos essa luta conseguimos fugir e vamos parar em um vilarejo chamado Melve. Lá, conhecemos a arqueira Ulrika, que foi justamente a pessoa que salvamos durante o ataque do Dragão que causou a perda de memória do Nascen.

O grande problema é que um dos dois reinos principais do jogo, Vermund teve o trono tomado por uma rainha regente que mantém um falso Nascen como principal figura de poder daquele reino, em teoria, e por isso o nosso personagem precisará de alguma forma provar que é o verdadeiro Nascen. Enquanto o reino Vermund é habitado majoritariamente por humanos, o reino de Battahl é liderado pelos leoterians (leões humanoides), que têm uma cultura um tanto distinta dos Vermund, a ponto de rejeitarem tanto a presença de humanos quanto dos peões que lutam servindo ao Nascen. Ainda assim, os reinos aceitam estabelecer uma aliança para enfrentar o lendário Dragão que roubou o coração do Nascen caso ele um dia retornasse, visto que ele é uma ameaça comum a ambos os reinos.

Embora ofereça uma trama repleta de reviravoltas e tenha múltiplos finais, frutos de nossas escolhas em diálogos com uma figura central para determinar o desfecho de tudo, a história de Dragon’s Dogma é um tanto distante do jogador. A trama repleta de intrigas políticas tinha enorme potencial, mas a dificuldade em nos conectarmos tanto com o próprio Nascen quanto com os demais personagens se revela um grande problema.

Enquanto em jogos como Mass Effect 2 e The Witcher 3 nós nos importamos com os personagens que conhecemos e, consequentemente, com o que pode acontecer com eles, para o bem ou para o mal, Dragon’s Dogma 2 tem enorme de dificuldade de criar figuras que despertem qualquer tipo de sentimento, seja positivo ou negativo. Tudo soa como um mero pretexto para prosseguirmos por aquele mundo em busca de novas boss fights grandiosas e visualmente impressionantes. Há, sim, alguns momentos de maior impacto emocional, mas eles são pontuais em meio a uma trama que soa vazia e pouco inspirada na maior parte do tempo. Como alento, ao menos a reta final da campanha mostra que nossas escolhas têm, sim, consequências, e por isso ao menos o desfecho traz a sensação de que a jornada por aquele mundo valeu a pena também pela história, embora ela passe longe de ser verdadeiramente memorável.

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Com lutas grandiosas e um sistema de peões extremamente refinado, Dragon's Dogma é um ótimo jogo, mas seria ainda melhor se tivesse um mundo mais variado em exploração e ambientação, progressão menos arrastada e trama e personagens melhor escritos. O jogo mantém muito da base de seu antecessor e o aprimora em quase todos os aspectos, mas não chega a atingir o nível dos melhores RPGs de ação lançados ao longo dos últimos 10 anos, como Elden Ring, The Witcher 3, Bloodborne e Dragon Age Inquisition.